Resumo do Filme Corra!: Uma Análise Detalhada da Obra de Jordan Peele
Lançado em 2017, Corra! (título original: Get Out) não é apenas um filme de terror; é um thriller social agudo que catapultou Jordan Peele ao estrelato, garantindo-lhe o Oscar de Melhor Roteiro Original. A obra utiliza o suspense psicológico para tecer uma crítica cáustica e inesquecível sobre o racismo sutil, a apropriação cultural e o liberalismo branco. Se você precisa relembrar os detalhes da trama ou entender o simbolismo por trás de ‘O Poço’ (The Sunken Place), este resumo completo é para você.
Se você ainda não assistiu a este clássico moderno, recomendamos fortemente a experiência integral. Enquanto isso, prepare-se para mergulhar na angustiante jornada de Chris Washington.
Ficha Técnica e Contexto do Filme
Antes de nos aprofundarmos no enredo, confira as informações essenciais que colocam Corra! no seu devido lugar na história do cinema:
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Título Original | Get Out |
| Ano de Lançamento | 2017 |
| Direção e Roteiro | Jordan Peele |
| Gênero | Terror/Thriller Social |
| Protagonista | Daniel Kaluuya (Chris Washington) |
O Resumo Detalhado: Do Início ao ‘Poço’
A Visita Inaugural ao Campo
O filme acompanha Chris Washington (Daniel Kaluuya), um fotógrafo negro de Nova York, que viaja com sua namorada branca, Rose Armitage (Allison Williams), para conhecer os pais dela, Dean e Missy, em sua isolada propriedade rural. Chris está nervoso porque Rose não contou aos pais que ele é negro, embora Rose insista que a família é progressista e “não racista”.
Ao chegar, Chris imediatamente percebe que algo está errado. Os empregados da casa, Georgina (a governanta) e Walter (o jardineiro), são negros, mas se comportam de maneira estranhamente robótica e desapegada. Dean tenta tranquilizar Chris dizendo que eles foram contratados para cuidar de seus pais idosos, mas a justificativa parece superficial.
Os Encontros Estranhos e a Hipnose
Durante o primeiro dia, Chris tem dificuldades para dormir. Missy Armitage (Catherine Keener), a mãe de Rose, é uma psiquiatra que pratica hipnose. Após uma sessão tensa no meio da noite, Missy hipnotiza Chris, forçando-o a reviver o trauma de sua infância (a morte de sua mãe em um atropelamento) e, em seguida, o envia para um estado de paralisia mental: O Poço.
O ambiente fica ainda mais desconfortável quando os Armitage promovem uma festa anual. Todos os convidados são brancos e de classe alta, e demonstram um interesse excessivo e invasivo pela fisicalidade de Chris, fazendo perguntas constrangedoras sobre sua “genética” e suas habilidades. Chris tenta encontrar algum conforto e acaba conversando com Logan King, um outro homem negro presente na festa, que se comporta de forma tão estranha quanto os empregados.
A Revelação Chocante
Chris, incomodado com a situação, tenta ligar para seu amigo Rod Williams, um agente da TSA (Segurança de Transportes) obcecado por teorias da conspiração. Durante uma foto, o flash da câmera de Chris dispara, e Logan King subitamente reage com um ataque de pânico, gritando para Chris “Corra!” antes de ser contido. Chris descobre, através da foto, que Logan é, na verdade, Andre Hayworth, um conhecido que estava desaparecido.
Ao investigar secretamente, Chris encontra uma caixa de fotos antigas de Rose, revelando que ela teve inúmeros relacionamentos com parceiros negros antes dele, algo que ela negava. Ele percebe que Rose não é uma vítima, mas sim uma participante ativa do esquema.
O Conceito Chave: O ‘Poço’ (The Sunken Place)
O clímax narrativo e o simbolismo do filme giram em torno d’O Poço. Ele não é apenas uma ferramenta de roteiro; é a metáfora central da obra.
O Poço (The Sunken Place) é o estado de paralisia mental induzido pela hipnose de Missy. A mente da vítima é aprisionada em um vazio escuro, onde ela pode ver o que está acontecendo com seu corpo, mas é incapaz de controlá-lo ou influenciá-lo. É o lugar onde a consciência é silenciada enquanto o corpo é cooptado.
A família Armitage, através de uma sociedade secreta, vende corpos negros jovens e saudáveis para indivíduos brancos e idosos que procuram a imortalidade e vitalidade física. Dean Armitage é o cirurgião, e Missy usa a hipnose para suprimir a consciência original da vítima, preparando-a para a cirurgia de transplante cerebral. Walter e Georgina, por exemplo, abrigam as consciências dos avós de Rose.
A Fuga e o Confronto Final
Quando Chris tenta fugir, Rose e Jeremy (o irmão sádico) o impedem, revelando toda a extensão da trama. Chris é amarrado para o procedimento final, que será transmitido a um comprador cego.
No entanto, o trauma da morte de sua mãe, que Missy usou para hipnotizá-lo, também lhe deu um mecanismo de defesa. Quando ele ouve o ranger da colher no chá (o gatilho hipnótico), ele obstrui seus ouvidos com algodão, permitindo que sua mente permaneça parcialmente desperta. Ele consegue se libertar e inicia uma fuga sangrenta.
- Chris mata Jeremy e, em seguida, ataca Dean.
- Ele incendeia a casa.
- Ele mata Missy, usando o som do alarme de incêndio para colocá-la em transe.
- Ele é confrontado por Walter (o avô), mas consegue fazê-lo voltar brevemente a si. Walter/o avô usa a arma para cometer suicídio, matando a si mesmo e ao pai de Dean.
No final, Chris está quase estrangulando Rose na estrada quando a polícia chega. Em um momento de tensão máxima, parece que Chris será incriminado, mas o carro que para não é da polícia local, e sim do fiel Rod Williams, que chega no último instante para resgatar seu amigo. Eles fogem, deixando Rose para morrer na estrada.
Personagens Principais e Seus Papéis
A profundidade de Corra! reside na forma como Jordan Peele utiliza cada personagem para avançar tanto o enredo quanto a crítica social:
- Chris Washington (Daniel Kaluuya): O protagonista, cuja sensibilidade e trauma prévio o tornam vulnerável, mas também o ajudam a resistir à supressão total.
- Rose Armitage (Allison Williams): A falsa aliada. Ela é a isca perfeita que atrai vítimas para sua família, representando a traição e a exploração mascarada sob o véu do progressismo.
- Missy Armitage (Catherine Keener): A hipnotizadora. Ela é a responsável por aprisionar a mente das vítimas n’O Poço.
- Rod Williams (Lil Rel Howery): O alívio cômico e, crucialmente, o único a acreditar na teoria da conspiração de Chris, provando que, às vezes, as teorias mais loucas são as mais verdadeiras.
A Crítica Social Por Trás do Terror
O grande triunfo de Corra! é a maneira como ele transforma medos sociais em terror palpável. O filme não trata de racismo explícito (como o uso de calúnias), mas sim do racismo estrutural e da apropriação.
A família Armitage não odeia pessoas negras; eles as cobiçam e objetificam. Eles querem o corpo negro – sua vitalidade, força e, no caso do pai cego, sua visão – mas desconsideram e destroem a consciência e a individualidade da pessoa. Essa é uma poderosa metáfora sobre como a cultura e os aspectos físicos da negritude são frequentemente apropriados, enquanto a pessoa real é marginalizada e silenciada.
Assistir à evolução da trama, desde as piadas estranhas dos convidados até a revelação da “cirurgia de manutenção” da família, reforça a ideia de que, para algumas elites, a identidade de Chris não passa de uma mercadoria. Se você está interessado em mais análises cinematográficas que mesclam crítica social e suspense, confira nosso vídeo sobre outros filmes de Jordan Peele.
Conclusão
Corra! (Get Out) é mais do que um filme assustador; é um estudo de caso sobre a paranoia racial levada a um extremo distópico. A maestria de Jordan Peele reside em fazer o público, independentemente de sua origem, sentir a crescente sensação de deslocamento e ameaça que Chris experimenta. O filme permanece uma peça essencial da cultura pop moderna, forçando discussões desconfortáveis e necessárias sobre raça e percepção. A tensão entre o que é visto e o que é real nunca foi tão eficazmente explorada no gênero de terror.







