Imagine o ano de 1972. O cinema mundial estava prestes a mudar para sempre, embora ninguém no estúdio da Paramount Pictures realmente acreditasse nisso. Quando falamos sobre a história do cinema, existe um divisor de águas chamado Corleone. Mas o que aconteceu longe das câmeras foi tão dramático quanto a execução de Sollozzo em um restaurante no Bronx. Você já se perguntou por que esse filme continua no topo de todas as listas de ‘melhores de todos os tempos’ após cinco décadas?
A verdade é que a produção foi um caos absoluto. De ameaças reais da máfia a um diretor que passava os dias esperando ser demitido, o nascimento desta obra-prima foi um milagre cinematográfico. Para os fãs ávidos que buscam novas curiosidades sobre o mundo das telas, mergulhar nos bastidores do clã Corleone é uma viagem sem volta. Prepare seu café, sente-se de forma confortável e descubra os segredos que tornaram este filme uma lenda viva.
1. O Pesadelo da Paramount: A Luta pelo Elenco
É difícil imaginar qualquer outra pessoa como Vito Corleone que não seja Marlon Brando. No entanto, para os executivos da Paramount, Brando era considerado ‘veneno de bilheteria’. Ele tinha fama de ser difícil, imprevisível e caro. O estúdio chegou a dizer que ele nunca colocaria os pés no set de filmagens.
O Teste de Marlon Brando
Francis Ford Coppola, em um ato de desespero e genialidade, convenceu Brando a fazer um teste de vídeo. O ator, demonstrando por que era um gênio, colocou papéis de seda nas bochechas para parecer um buldogue, escureceu o cabelo com graxa de sapato e adotou aquela voz rouca icônica. Quando os executivos viram a fita, não reconheceram o ator, mas souberam que haviam encontrado o Padrinho.
Al Pacino também não foi a primeira escolha. O estúdio queria Robert Redford ou Ryan O’Neal para o papel de Michael. Eles achavam Pacino ‘baixo demais’ e ‘sem carisma’. Coppola teve que ameaçar se demitir várias vezes para manter o jovem ator, que só provou seu valor na cena do restaurante, onde sua atuação silenciosa e tensa deixou todos boquiabertos.
2. A Máfia Real e o Pacto de Silêncio
Enquanto Coppola filmava as 7 curiosidades sobre O Poderoso Chefão, a verdadeira máfia de Nova York estava observando. A Liga dos Direitos Civis Ítalo-Americanos, liderada pelo mafioso Joe Colombo, iniciou uma campanha para interromper a produção, alegando que o filme era um insulto aos italianos.
Após carros de produtores terem os vidros quebrados e ameaças de bomba serem feitas, o produtor Al Ruddy teve que se reunir com Colombo. O acordo foi bizarro: a produção poderia continuar, desde que as palavras ‘Máfia’ e ‘Cosa Nostra’ fossem completamente banidas do roteiro. Se você prestar atenção, nunca ouvirá esses termos durante as quase três horas de filme.
“Eu fiz a ele uma proposta que ele não pôde recusar.” – Essa frase não se aplicava apenas ao roteiro, mas à vida real da produção.
3. O Presságio Cítrico: O Mistério das Laranjas
Se você vir uma laranja em O Poderoso Chefão, corra. Uma das superstições cinematográficas mais famosas nasceu aqui. Embora muitos teóricos de cinema digam que as laranjas foram uma escolha artística deliberada para simbolizar a morte, o designer de produção Dean Tavoularis admitiu anos depois que a razão era bem mais prática.
As cenas eram muito escuras e sombrias. Eles precisavam de pontos de cor vibrante para quebrar o tom sépia e marrom da fotografia. Como o filme se passa em Nova York e as frutas eram itens comuns de mercado, eles usaram laranjas. Coincidentemente (ou não), quase todas as cenas em que as laranjas aparecem precedem uma morte ou uma tragédia iminente.
- Vito Corleone compra laranjas antes de sofrer o atentado.
- Laranjas estão na mesa durante o jantar onde a traição é discutida.
- Vito morre no laranjal brincando com o neto.
- Hyman Roth come laranjas em O Poderoso Chefão II.
4. Improvisos que Definiram o Cinema
Grandes filmes são feitos de roteiros perfeitos, mas os imortais são feitos de acidentes felizes. Duas das cenas mais memoráveis de O Poderoso Chefão não estavam planejadas exatamente como as vimos na tela.
O Gato de Don Corleone
Na cena de abertura, enquanto Vito recebe pedidos no dia do casamento de sua filha, ele acaricia um gato gentilmente. Aquele gato era um animal de rua que vagava pelos estúdios da Filmways em Nova York. Coppola simplesmente o pegou e colocou no colo de Brando no último segundo. O ronronar do gato foi tão alto que os técnicos de som tiveram dificuldade em captar os diálogos de Brando, exigindo dublagem posterior.
“Deixe a arma, pegue os cannoli”
A frase de Richard Castellano (Clemenza) após o assassinato de Paulie Gatto é uma das mais citadas da história. No roteiro original, a linha era apenas “Deixe a arma”. Castellano, lembrando-se de uma cena anterior onde sua esposa pedia para ele trazer doces, improvisou o complemento. O resultado foi um contraste brilhante entre a violência brutal e a banalidade da vida cotidiana.
5. A Fotografia que Desafiou os Padrões
Gordon Willis, o diretor de fotografia, ganhou o apelido de “Príncipe das Trevas”. Antes de 1972, os filmes de Hollywood eram iluminados de forma clara para que o público pudesse ver tudo perfeitamente. Willis decidiu fazer o oposto.
Ele usou sombras profundas e subexposição para criar o clima de segredo e corrupção. Em muitas cenas, os olhos dos atores estão completamente na escuridão, o que incomodou profundamente os executivos da Paramount. Eles achavam que o filme estava “escuro demais” e que o público odiaria. Willis provou que o que não vemos é tão poderoso quanto o que vemos.
| Filme | Ano | Orçamento (Estimado) | Bilheteria Mundial | Oscar de Melhor Filme |
|---|---|---|---|---|
| O Poderoso Chefão | 1972 | US$ 6 milhões | US$ 246 milhões | Venceu |
| Parte II | 1974 | US$ 13 milhões | US$ 48 milhões | Venceu |
| Parte III | 1990 | US$ 54 milhões | US$ 136 milhões | Indicado |
6. A Cabeça de Cavalo: Realismo Chocante
Uma das cenas mais perturbadoras envolve o produtor Jack Woltz acordando e encontrando a cabeça decepada de seu cavalo premiado na cama. Você sabia que aquela cabeça era real? Inicialmente, a equipe de produção usou uma cabeça de borracha, mas Coppola achou que não parecia autêntica o suficiente.
Eles localizaram uma empresa de comida para cães que havia abatido um cavalo com características semelhantes. A cabeça foi entregue no set, embalada em gelo seco. O grito que ouvimos do ator John Marley no filme foi, em parte, um susto genuíno, pois ele não sabia que a equipe tinha trocado o adereço de borracha por um resto mortal real na hora da gravação.
7. O Legado Inalcançável
O Poderoso Chefão não foi apenas um filme; foi uma mudança cultural. Antes dele, filmes sobre mafiosos eram considerados produções de “Série B”. Coppola elevou o gênero ao status de tragédia grega ou drama shakespeariano. Ele humanizou os monstros sem perdoar seus pecados.
O impacto foi tão grande que os próprios mafiosos reais começaram a imitar o filme. Eles passaram a adotar os termos, a forma de vestir e até o código de honra romantizado pelo cinema. A vida imitou a arte de uma maneira que raramente vimos na história da humanidade.
Será que o cinema moderno seria o mesmo sem Michael Corleone? Provavelmente não. A técnica de montagem paralela usada no final do filme, alternando entre o batizado e os assassinatos, é ensinada até hoje em todas as escolas de cinema do mundo. É o ápice da narrativa visual.
Conclusão
Revisitar essas 7 curiosidades sobre O Poderoso Chefão nos mostra que a perfeição raramente nasce de condições perfeitas. Pelo contrário, ela surge do conflito, do improviso e da visão artística inabalável de pessoas como Coppola, Brando e Willis. Este filme continua sendo a prova de que o cinema é a forma de arte mais poderosa do nosso tempo.
Qual dessas curiosidades mais surpreendeu você? O Poderoso Chefão é mais do que entretenimento; é uma aula de história e psicologia humana. Se você ainda não assistiu (ou faz tempo que não revê), talvez seja a hora de fazer a si mesmo uma proposta que não pode recusar e dar o play neste clássico absoluto.
Perguntas Frequentes
Por que o filme é considerado o melhor de todos os tempos?
Pela combinação perfeita de roteiro profundo, atuações lendárias e uma direção técnica revolucionária que transformou o gênero policial em um drama familiar épico.
Marlon Brando realmente usou próteses nas bochechas?
No teste ele usou algodão e papel, mas para as filmagens reais, um dentista criou um aparelho especial que Brando colocava na boca para dar aquele volume facial característico.
Onde o filme O Poderoso Chefão foi filmado?
A maior parte foi filmada em locações reais em Nova York e na Sicília, na Itália, o que ajudou a trazer a autenticidade visual que o estúdio inicialmente queria evitar.
Qual a importância das laranjas no filme?
Embora tenham sido usadas inicialmente para dar cor à fotografia escura, elas acabaram se tornando um símbolo cinematográfico de morte iminente ou perigo.
Quanto Al Pacino recebeu para fazer o primeiro filme?
Sendo um novato na época, Pacino recebeu apenas cerca de 35 mil dólares, uma fração mínima comparada ao salário de Brando e ao que ele ganharia nas sequências.
O filme é baseado em uma história real?
O filme é baseado no livro de Mario Puzo. Embora os personagens sejam fictícios, muitos elementos e personalidades foram inspirados em famílias mafiosas reais de Nova York.







